Dilemas da Esquerda: Unidade; Ruptura; Alianças… Que rumo tomar para derrubar o Golpe?

Dilemas da Esquerda: Unidade; Ruptura; Alianças… Que rumo tomar para derrubar o Golpe? 

Nunca a Esquerda esteve tão desunida em uma conjuntura tão desfavorável. Em 2016, a presidenta Dilma Rousseff sofreu um Golpe de Estado, civil, comando pelo imperialismo americano e operado pelo parlamento, o poder judiciário e grande mídia. Em 2018, as elites encarceraram o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, num falso processo jurídico (Law Fair), numa delação sem prova material para impedir sua candidatura e sua eleição presidencial.

Do Golpe imperial-parlamentar-jurídico-midiático: 

No impeachment político da presidenta Dilma Rousseff, não houve comprovação de improbidade administrativa da presidenta, em um governo do PT, reconhecidamente rigoroso no equilíbrio fiscal. O impeachment representou uma nova forma de se implantar o Estado de Exceção, uma Ditadura da Toga.

Vale destacar, a Esquerda foi pega de surpresa, ao não avaliar devidamente a conjuntura e estrutura do Golpe. A Esquerda no poder, promoveu enormes acertos na instauração do Estado do Bem Estar Social, com geração de empregos e distribuição da renda. Entretanto, cometeu muitos erros em seu governo, favorecendo o Golpe de Estado.

Como principais erros: 1- a política de alianças com políticos fisiológicos que se apropriam do Estado para extorquir o erário público; 2- a acomodação burocrática da militância partidária com distanciamento das massas populares; 3- a manutenção e fortalecimento do oligopólio especulativo, com altas taxas de juros em detrimento da geração de emprego e distribuição da renda; 4- a manutenção e fortalecimento do oligopólio midiático em detrimento da mídia alternativa e popular; 5- a entrega das agências reguladores do serviço público às instâncias empresariais em detrimento dos consumidores; 6- a não adoção de ferramentas de democracia direta, como referenduns, plebiscitos e conselhos de controle social; 7- a não aprovação de uma reforma tributária progressiva sobre a renda; 8- por fim, a não aprovação de uma reforma política que aproxime o eleitor do parlamentar.

Convém destacar, os enormes acertos no desenvolvimento sócio-econômico do Brasil, com elevação do Brasil a sexta economia mundial, hoje regredida a nona economia mundial no governo do Golpe. A Esquerda instaurou o Estado do Bem Estar Social no Brasil. Proporcionou oportunidades iguais aos antes excluidos da educação, da saúde, do lazer e bem estar social. As universidades antes destinada a elite branca, passou a ser colorida com a entrada de negros, pardos e indios.

Tudo isto aconteceu, a partir da execução de vários programas sócio-econômicos promovidos pela Esquerda no poder: criação do Pró-Uni; ampliação do FIES; criação do Ciência Sem Fronteiras; ampliação da rede universitária e institutos tecnológicos públicos; geração de empregos de qualidade; distribuição e elevação da renda dos mais pobres, elevando-os a condição de classe média; descoberta e exploração do Pré-Sal; re-criação da indústria naval, com exigência de conteúdo nacional, criando milhares de empregos diretos e indiretos; criação do Minha Casa Minha Vida; de mais ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, metrôs; ampliação da indústria automobilística… No total, os governos Lula-Dilma criaram mais de dez milhões de empregos em doze anos.

Os antes pobres, começaram a frequentar shoppings, aeroportos, hotéis, viagens, restaurantes, viagens ao exterior, universidades, concursos públicos, empregos de qualidade, comprar carros… O que despertou o ódio e a ira da elite branca e conservadora. A Elite do Atraso. Esta elite representada nos partidos PSDB, DEM, PP, PPS, PMDB e Centrão, passou então, a sabotar e conspirar contra o Estado Democrático do Direito, promovendo o Golpe de 2016-2018.

Dilemas da Esquerda: Unidade; Ruptura; Alianças… Como dito, nunca a Esquerda brasileira esteve tão desunida em uma conjuntura tão desfavorável.

O PDT de Ciro insiste em uma candidatura solo com 4% de preferência eleitoral sem encontrar um vice. Ciro flertou com a direita, o Centrão, e agora flerta com o PC do B de Manuela com 1% de preferência eleitoral. O Ciro propõe um programa à La Carte, inicialmente era nacionalista e desenvolvimentista, com referendum revogatório das privatizações e entrega do Pré-Sal, mas agora pode ser flexibilizado a depender de sua aliança política. Ou seja, falta coerência em seu discurso que atira para todo lado. Entretanto, nem tudo está perdido, se aceitar a ser vice de Lula ou vice do substituto do PT, caso o STE e STF continuem rasgando a constituição. A Esquerda ganha no primeiro turno.

O PC do B, hoje dividido, na candidatura solo da Manu. Não acredita na ruptura com a burguesia, continua com seu antigo sonho de aliança com a burguesia. O PC do B sempre aliado do PT na bonança, abandonou o barco do presidente Lula na cadeia. No entanto, acredita-se que até o dia 5 de agosto o espírito santo traga lucidez à direção do PC do B. Com a Manu aceitando ser candidata ao governo do Rio Grande do Sul em uma aliança com o PT, ou vice de Lula caso Ciro não aceite.

O PSOL sempre optou por carreira solo, Boulos, liderança de massas em ascensão, considerado o Lula mais jovem, é um excelente quadro político, com coerência e combativo. Porém, o PSOL deve pensar na unidade da Esquerda em torno do Lula, pois o PT de hoje não carrega as alianças fisiológicas do passado.

O PSOL junto com o PT, PCO, PC do B e PDT pode inaugurar um governo de Esquerda de ruptura com a Elite do Atraso. Portanto, o Boulos pode ser vice de Lula, governador, senador ou deputado federal com grande votação que elevaria o quadro de parlamentares do PSOL.

Quanto ao PSB, antigo partido socialista brasileiro, deveria corregir sua legenda para PGEB, partido golpista e entreguista brasileiro. O PSB só tem a ganhar com uma aliança com a Esquerda, mas não tem nada a oferecer, pior, a Esquerda estará elegendo sabotadores, golpistas e entreguistas. O PSB promove mais desunião do que coesão. Em São Paulo apoia Alckmin, no Ceará apoia Ciro, em Pernambuco é oposição ao PT.

Que rumo a Esquerda deve tomar para derrubar o Golpe? 

Como já explícito acima, a unidade da Esquerda em torno do Lula deve ser perseguida se queremos derrubar o Golpe de Estado. Como proposto por Breno Altman, Rui Costa Pimenta, Aldo Fornazieri e outros,  somente a eleição de Lula pode romper o Estado de Exceção.

O personalismo de outros candidatos e partidos de Esquerda deve ser posto de lado em razão de um bem melhor para o coletivo do povo brasileiro. Romper as amarras com o imperialismo em busca da restauração da soberania nacional e popular, do Estado Democrático de Direito e Bem Estar Social é o grande desafio.

Ainda que Lula possa ser impedido pela Ditadura da Toga e grande mídia. A Esquerda unida pode eleger o indicado do presidente Lula em uma coalizão que possa derrubar o Golpe. Daí, o povo brasileiro e militância exigem das lideranças UNIDADE para vencer o Estado de Exceção.